terça-feira, 15 de maio de 2012

A nova trajetória da tainha


Temporada começa com os cardumes que agora chegam a partir das baías da Argentina e Uruguai

    15/05/2012

FLORIANÓPOLIS - O saragaço começou. A tradicional frase de pescador ecoa nos barracões de pesca artesanal e nos barcos industriais catarinenses. A temporada mais esperada pelos profissionais do mar começa com uma constatação: a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, não é mais a principal fonte das tainhas que chegam ao Estado. Pesquisadores e pescadores confirmam que a migração agora é a partir das baías na Argentina e no Rio da Prata, entre a Argentina e Uruguai.

Conclusões feitas durante projeto pioneiro de estudo da espécie desenvolvido em parceria pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Universidade Federal do Rio Grande (Furg/RS) e Instituto de Pesca de Santos apresentam novos resultados. Ricardo Schwingel, um dos pesquisados do Grupo de Estudos Pesqueiros da Univali afirma que nos últimos 12 anos o principal criadouro mudou.

– Durante anos, a lagoa tem tido uma redução na abundância de tainha. Por outro lado, em SC, não se tem observado uma redução na demanda na pesca industrial e artesanal – afirma.

Ele conta que a frota pesqueira industrial tem operado no Sul da cidade de Rio Grande (RS), ou seja, na divisa com o Uruguai.

– Estaríamos explorando recursos migratórios a partir das baías na Argentina e no Rio da Prata. Como os pescadores conseguem pescar no Chuí? Tem então cardumes provenientes do Sul. Na Argentina a pesca é pequena e no Uruguai não tem pesca de cerco na industrial. Lá não existe a procura pela tainha.

Temporada movimenta mais de 15 mil pessoas no setor artesanal

Conhecido pelo apelido Pão de Milho, um dos mestres de barco mais respeitado no Brasil trabalha há 40 anos no mar, sendo 30 deles dedicados à tainha. Enquanto preparava o barco num cais em Itajaí, comentou a mudança:

– Não concordo que o peixe venha apenas da Lagoa dos Patos e com certeza não é mais a principal fonte. Acompanho a tainha desde o Chuí até Santos e vejo que mais de 80% migra da Argentina e Uruguai.

A tainha é o recurso pesqueiro mais aguardado no ano pelo setor industrial. Para o pescador artesanal é ainda mais relevante. É para ambos o momento de aumentar a renda familiar de forma considerável. São mais de 65 mil trabalhadores indiretos e diretos nos dois setores.

A temporada da tainha é um evento tradicional catarinense. Movimenta um mercado turístico-gastronômico. Nas praias, os arrastões atraem turistas e moradores na ajuda da retirada da rede e dos peixes. Mais de 15 mil pessoas trabalham com o setor artesanal. (colaborou Dagmara Spautz )
guto.kuerten@diario.com.br
GUTO KUERTEN
CHC

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